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TARJA TURUNEN – Credicard Hall/SP – 23/08/2008.
Texto: Júlio César Bocáter. Fotos: Márcio Rodrigo Silva Pereira.
Foi muito esperada essa apresentação da carreira solo de Tarja Turunen. Afinal, o Brasil foi um dos primeiros países no mundo a antever o fenômeno mundial que se tornaria o Nightwish posteriormente. Lembro do lançamento de Oceanborn aqui no Brasil, causando m]num alvoroço, seguido do bombástico Wishmaster, culminando com um show histórico em 2000 no Tom Brasil para pouco mais de mil pessoas. Naquele momento, era uma novidade, uma banda cantar Heavy metal com uma mulher fazendo vocal lírico operístico, sendo uma soprano. Este show foi no dia mais frio e chuvoso daquele ano e marcou época. Hoje, essa proposta virou comum e já começa a dar sinais de desgaste. Tarja foi demitida do Nightwish, que seguiu com outra cantora, seguindo uma linha mais Tradicional dentro do Heavy Metal, sem o lado mais Ópera de Tarja. Esta, no entanto, deixou de lado o Heavy Metal e caiu fundo num som mais Pop, algo sombrio algo Gótico, algo clássico, algo Folk. Para estes shows, Tarja montou quase um Dream Team para tocar ao vivo, contando com Kiko Loureiro (ainda no Angra, ou ex-Angra?), Doug Wimbish do Living Colour e Mike Terrana (ex-Rage e um monte de outros grupos). O sonho de todo músico de conservatório é ter um baixista negro, para dar um swingue mais. Já estudei em conservatório, por isso digo com propriedade e Tarja teve a mesma mentalidade, completando o raciocínio com um guitarrista virtuoso e o que difere é o baterista, já que Mike Terrana não é adequado ao estilo da carreira solo de Tarja. Tanto é que o mesmo tocou dentro de uma espécie de redoma. Sim, ele é um cara vigoroso e que desde o braço, então, para não destoar do restante, pois as músicas são mais lentas e leves, colocaram uma espécie de biombo transparente de acrílico, creio, para conter e não vazar muito. Terrana já tem cara de louco e toca que nem um alucinado. Com essa proteção, muito comum em hospitais quando algum paciente delira ou está em estado crítico, deu um tom mórbido! O show agradou 99% do fraco público que compareceu no Credicard Hall nesta noite, que ao menos, mais uma vez foi fria e chuvosa, uma das mais neste ano de seca e estiagem. Sim, fraco público. A casa fechou a enorme “geral” lá de cima. Para compensar o espaço vazio na pista, montaram uma arquibancada que ocupa a metade da mesma e trouxe o pessoal da geral lá para baixo. Já vi isso várias vezes em que a casa tem público menor que a metade da sua capacidade. O show para mim refletiu o público e me decepcionei. Claro, seu disco solo é nessa veia mesmo, e ao vivo, não cria um punch maior. Engraçado Tarja fazer sinais de Heavy Metal (o “chifrinho” com o dedo indicador e mindinho) em músicas lentas e sem peso. Tivemos vários solos durante o show e os momentos mais bombásticos foram os poucos executados de sua ex-banda. Nemo e Wishmaster incendiaram o público presente, contando ainda com o cover de Poison do Alice Cooper, presente em seu CD solo, e o cover do Megadeth para Symphony Of Destruction, encerrando o set. esta cover o Nightwish tocava com a voz totalmente feira por Marco Hietala. Soou deslocada em seu show solo. Ainda, a manjada Phantom Of The Opera. Já ouvi umas 500 versões deste clássico da música clássica, desde várias de Heavy e Gothic Metal, até Dance, Techno, Pop, Dance e etc. Sempre achei a do Nightwish, uma das mais fracas e previsíveis, sempre achei que eles poderiam coverizar uma música menos batida. Em carreira solo, beirou a apelação. Ela poderia usar qualquer outra cover clássica que não fosse essa, até prestando um serviço para seus fãs, a maioria novinhos. Quem fez o dueto foi Edu Falaschi. Do Nightwish ainda, teve a pesada e sombria Dead Gardens. Do disco solo de Tarja, o melhor momento sem dúvida foi a forte e marcante I Walk Alone. Essa sim, uma música acima da média, pena que o resto do disco não seja do mesmo nível. Afinal, todos os fãs de Tarja são fãs do Nightwish de sua época, e todos os presentes são ou fãs de Nightwish, ou de Gothic Metal. O show poderia ser um espetáculo, já que o momento e o tema pedia isso, mas foi tudo bem simples (palco, efeitos, performance) sendo a única coisa fora do comum a troca de figurino de Tarja, praticamente uma em cada música. Destaque ainda a simpatia dela, falando em português com o público. Mas ainda acho que ela vai acertar a mão e conseguir um meio termo entre o que ela quer fazer e o que seu público espera dela, afinal, My Winter Storm é o primeiro trabalho em que ela compõe e que ela faz tudo, pois no Nightiwsh, ela era apenas a vocalista, dentro de um esquema pronto de todas as músicas compostas por Tuomas.

Set list:
01 - Boy and The Ghost
02 - Lost Northern Star
03 - Passion and the Opera
04 - Nemo
05 - Sing For Me
06 - Our Great Divide
07 - Enough
08 - Oasis
09 - My Little Phoenix
10 - I Walk Alone
11 - Poison
12 - Phantom Of The Opera
13 - Ciaran's Well
14 - Wishmaster
15 - Die Alive
16 - Calling Grace
17 - Dead Gardens
18 - Symphony of Destruction